O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura, em 25 de julho de 2026, a exposição de longa duração Entre o moderno e o contemporâneo: arte nas coleções do MAM Rio, viabilizada pela parceria entre o museu e a Petrobras. Reunindo obras de cerca de 170 artistas que ajudam a contar a história da arte moderna e contemporânea no Brasil, a mostra garantirá acesso permanente para públicos da cidade e visitantes a património artístico fundamental para o país. O percurso articula a trajetória da produção artística nacional nos séculos XX e XXI à história do próprio museu, destacando o papel desempenhado pelo MAM Rio na formação e difusão da arte brasileira.
A exposição toma como ponto de partida o projeto moderno que, nas primeiras décadas do século XX, buscou construir uma arte e, por extensão, uma cultura capaz de expressar a singularidade cultural nacional. Foi esse mesmo impulso que contribuiu para a criação do MAM Rio, fundado em 1948. A partir dessa conexão histórica, a mostra acompanha diferentes movimentos, linguagens e experimentações que marcaram a arte brasileira, ao mesmo tempo em que revela a presença do museu carioca em momentos decisivos dessa trajetória.
“As obras reunidas aqui são incontornáveis para a compreensão da arte brasileira moderna e contemporânea e, apresentadas em conjunto, revelam a força e a diversidade do acervo do MAM Rio. Queremos ampliar o acesso a esse patrimônio cultural e mostrar como as coleções do museu oferecem uma leitura singular da história da arte no Brasil, construída a partir da própria trajetória do museu e de seu compromisso permanente com a preservação, a pesquisa, a educação e a formação de públicos”, comenta Yole Mendonça, diretora executiva do MAM Rio.
Reunindo ítens pertencentes à Coleção MAM Rio, à Coleção Gilberto Chateaubriand e à Coleção Joaquim Paiva, a coletiva apresenta trabalhos de artistas fundamentais para a compreensão da arte moderna e contemporânea no país. A seleção inclui obras de Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Volpi, Amilcar de Castro, Anita Malfatti, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Antonio Manuel, Arjan Martins, Artur Barrio, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Claudio Tozzi, Ernesto Neto, Fernanda Gomes, Franz Weissmann, Heitor dos Prazeres, Hélio Oiticica, Iberê Camargo, Iole de Freitas, Ivald Granato, Ivan Serpa, José Resende, Judith Lauand, Lúcia Laguna, Manabu Mabe, Rubem Valentim, Rubens Gerchman, Tarsila do Amaral e Tomie Ohtake, entre muitos outros nomes decisivos para a construção da arte brasileira desde o começo do século XX.
Organizada de forma cronológica, a montagem estrutura-se em oito núcleos: Modernismos, Abstrações além da forma, O impulso geométrico, O retorno da figuração, Arte experimental, A nova pintura nos anos 1980, Elementos apropriados e A partir de 1990. A divisão dialoga com categorias consolidadas pela historiografia da arte no Brasil, permitindo ao visitante acompanhar transformações estéticas, conceituais e políticas que atravessaram a produção artística ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI.
Entre as obras apresentadas estão marcos importantes, como A japonesa (1924), de Anita Malfatti ou Urutu (1928) de Tarsila do Amaral; trabalhos de Alfredo Volpi e Guignard associados aos desdobramentos do modernismo; pinturas de Iberê Camargo, Manabu Mabe e Tomie Ohtake ligadas às pesquisas abstratas informais do pós-guerra; obras de Ivan Serpa, Judith Lauand e Franz Weissmann que ajudam a compreender o desenvolvimento da arte geométrica no país; além de trabalhos de Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Antonio Manuel e Artur Barrio, artistas centrais para a expansão dos limites da arte brasileira a partir das décadas de 1960 e 1970.
Embora estruturada cronologicamente, Entre o moderno e o contemporâneo não propõe uma narrativa linear ou definitiva. A presença de obras que perpassam diferentes momentos históricos e uma expografia concebida para estimular múltiplos percursos convidam o público a estabelecer relações transversais entre períodos, linguagens e contextos distintos. O projeto expográfico retoma referências do design moderno, ao mesmo tempo em que cria condições para leituras abertas e não hierárquicas do conjunto apresentado.
A narrativa expositiva é enriquecida por verbetes distribuídos em QR codes ao longo da mostra, que oferecem acesso a textos, fotografias e documentos preservados nos acervos documentais do museu, e contextualizam episódios decisivos da história do MAM Rio e da arte brasileira. Entre eles estão temas como o Ateliê de Gravura, os cursos do Ivan Serpa, as exposições Opinião 65 e Opinião 66, a abertura do Bloco de Exposições, a Nova Vanguarda Artística e as relações entre ditadura, arte e comunicação. Esses conteúdos ampliam a compreensão das obras e artistas ao situá-las nos debates e transformações que marcaram a produção artística no país.
O MAM Rio reúne um dos principais acervos da América Latina. São mais de 3 milhões de itens, entre obras de arte, documentos e filmes. Entre eles, 16 mil obras dividem-se em três coleções: a Coleção Gilberto Chateaubriand, a Coleção Joaquim Paiva e a Coleção MAM Rio. Juntas, elas constituem um conjunto de referência para o estudo e a compreensão da arte moderna e contemporânea produzida no Brasil.
Desde sua fundação, o MAM Rio consolidou-se como uma das principais instituições dedicadas à arte e à educação no país, desempenhando papel fundamental na formação do campo artístico brasileiro. Orientado por uma visão de arte e cultura que reconhece sua função social, formativa e cidadã, o museu reafirma, com esta exposição, seu compromisso com a democratização do acesso ao acervo e com a ampliação das possibilidades de leitura da história da arte brasileira.





